quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O CÉU RECLAMA.


O céu reclama.  Estrondosos rufares por tambores primitivos. A cor se transforma de azul para um cinza carregado. Carregado de força para surrar tudo e a todos. O céu novamente reclama sobre nossas cabeças. As forças dos elementos se preparam vagarosamente sem que percebamos. A água se desloca em prontidão com sua cavalaria. O fogo se acalma e fica no comando, acompanhando os trovões com seus poderosos raios. O ar se torna denso, e como numa corda esticada que começa dar ordens para a ventania. E a terra abre os braços para aceitar o combate. Sabe que por séculos foi assim. E que por séculos será assim. E nós pequenos e meros mortais... que Deus nos proteja de mais uma batalha entre o céu e a terra.


                Hoje como no mês passado fui tomado por um medo. Um medo incomum. Ao assistir TV é impossível não se identificar com as coisas que estão acontecendo no mundo. Pior é aqui no Brasil. E pior é no bairro onde trabalho. Não sei o que faço pra me proteger e as pessoas que amo. Não sou uma pessoa violenta, mas conheço a violência. Minha vida toda morei em bairros violentos. Vi corpos mortos na rua onde morava. Vi pessoas sendo executadas. Vi muita fumaça de arma se dissipar no ar. Algumas pessoas que víamos andando hoje amanhã tinham sumido. Mas hoje parece que voltei a minha adolescência num bairro que não dava futuro ou esperança pra ninguém. Poucos conhecidos realmente chegaram onde queriam. Todos falavam que só pela educação conseguiríamos chegar a algum lugar. Disso não questiono e não coloco duvida sobre isso. Mas o que me incomoda hoje em dia é a falta do medo de morrer. As pessoas parecem que não dão mais valor para a vida. Nem a própria e nem a do outro. São acidentes de carro, roubos, assassinatos, seqüestros e uma infinidade de crimes que nosso mundo não precisaria enfrentar mais. Tudo por causa de poder, raiva, cobiça e o simples prazer de destruir algo. Trabalho com jovens e crianças e o nível de agressividade aumentou em três anos. Não tenho uma explicação lógica para isso, mas teóricos da área da educação dizem suas teorias na tv ou em simpósios pelo mundo a fora, mas nenhuma explicação vem com uma solução ou se quer uma tentativa de uma. Estou altamente preocupado com a degradação da cultura no país. Tudo parece mais importante do que ensinar ética, lógica, respeito, e o amor... e parece que todo mundo acha tudo normal. Crime organizado, desorganizado, violência entre familiares, o excesso consumo de álcool entre jovens. Esta necessidade de parecer com algo que não se é. Ostentação, libertinagem e fuga não da realidade, mas sim a construção de uma realidade distorcida de ética e que não mede as consequências dos atos. As crianças estão matando, as crianças estão se matando. E parece que ninguém se importa com isso. 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Anjo Renegado

Caindo. Caindo como um anjo renegado. Um anjo expulso do seu mundo, da sua família, do seu Clã. Implorando para uma aterrissagem macia. Mas não. A queda é dura e fria. A pancada é imensa e dói muito. O corpo agora sem tanta resistência parece que foi atropelado por uma manada de hipopótamos bêbados. Cada osso torcido e retorcido. Cada molécula fora mexida e surrada. Mas ainda estou vivo. O sangue quer coagular, mas eu não deixo misturando ele com vinho vagabundo comprado em qualquer boteco de bairro.  As asas já não tenho mais. Eu não posso mais voltar de onde sai. Contra a minha vontade diga-se a verdade. Não importa. Agora a dor vai passar e vou ter que aprender a viver com vocês. Minha mente ainda não acostumou com as coisas, com esta nova situação. Esta fora de mim conseguir guiar os pensamentos. Os instintos não deixam me concentrar no que está errado e assim não consigo distinguir o que é o errado. O errado erradia luz por todos os lados. Chega a ser mais forte que qualquer coisa que conheço. Chega a massacrar a moral cultivada por anos em nossas vidas e que agora não faz mais sentido. Hoje nem sei se algum dia fez sentido. A verdade se esconde dentro de uma gruta escura e fria. Não vai sair agora não. É para esperarmos em silencio. Trabalharmos sem esperar nada. Andar como uma armadura vazia e fazer o que nos disseram pra fazer.

Só que não!

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Como poderia supor...

Como poderia supor isso. Como poderia supor que não passo de ultrajante decálogo que estorva a continuação da existência. De todos os medos, frustrações e besteiras que fiz na vida, tudo se resume á estes dez tropeços que determinaram o meu futuro. Acreditar, acreditar e acreditar. Que lei é essa que controla tudo que existe. Até para não acreditar temos que ter uma disposição que nos exalta e eleva para sairmos do nosso prumo. Esquecido e preso entre argumentos profanos que não traduzem nada de sua vida. Penso e logo existo como um verme caminhando pela superfície de um planeta do tamanho de uma maçã que aos pouco vai se deteriorando. Como pode isso. Estou com medo sim. Mas o pior sempre vem. E se vem. Ele sempre marcou presença desde cedo e nem por causa disso elegi a discórdia para governar a minha vida, minhas ações, meus desígnios. Não sou o esplendido homem de marcas deixadas na história como também não me vi na obrigação de sê-lo. O relaxamento hoje parece impossível e olhar pra trás só me traz mais dor e desespero. Às vezes estou calmo e sereno. Às vezes estou chato e sofrendo. O canto das aves se alterna com o som das máquinas que costumam surrar metais para transforma-los em outra coisa. Musica metal, sons e ferro. Ser um homem e ser de ferro. Como poderia supor que ser leve pra mim era impossível. Como supor que descansar pra mim não poderia ser uma opção. Como supor que a cobrança sempre foi maior que os benefícios. O esforço estendido só me faz cansar as pernas e os braços que não sei mais pra que servem. Escalas e dissonâncias não abraçam mais as razões de meus sonhos. Estou triste pelo percorrido. Estou triste pelo ocorrido. A morte agora começa a cobrar a sua conta e eu não tenho a verdadeira estrutura para pagar. Não tenho renda. Não tenho nada. Mas ela cobra mesmo assim. Como uma aranha decrepita que lança suas teias pegajosas sore nós, como insetos que não valem uma esmagada.

terça-feira, 5 de julho de 2016

BACK TO THE THRONE

Olá povo! Fiquei novamente sem escrever pois estava atarefado e também muito triste. Foram muitas baixas, algumas importantes outras nem tanto e fiquei com medo que o blog se tornasse um obituário de músicos e artistas. Mas a vida segue. E preciso falar sobre Game of Thrones e sua última temporada. Pra quem acha que é uma besteira filmes ou séries com magia, dragões, reis e guerreiros e fantasia demais, não leiam este post. Aliás saiam do blog agora. Você não sabe de nada Jon Snow. A série dos livros e a da HBO tem suas diferenças, mas o contexto é o mesmo. Uma aventura incrível que não convém aqui entrar em detalhes, pois tudo já foi dito sobre a série, mas minha impressão é de que a história não fala de uma idade média preconceituosa, maligna, cruel e perversa. Pra mim ela reflete como ainda somos iguais na era moderna. Muda o cenário mas o enredo é o mesmo. Por que existem Jon´s Snow´s por ai, Cercei´s, Daenerys, Stark´s, Lanister´s e muita gente louca com ambições desmedidas e sem nenhum escrúpulo para conseguir o que querem. Existem religiosos como o septo e uma crueldade sem tamanho como na idade média. Matar por nada, como muitas vezes aconteceu na série. E procuramos nos proteger e tentar levar uma vida normal. Mas ao assistirmos qualquer jornal entendemos que de normal não existe nada neste mundo. As vezes me vejo em Westeros e não no Brasil tal os absurdos que vejo. Voltamos a idade média!!!!

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Lemmy Forever.

Desta vez tenho pouca coisa pra falar. Só digo o que já foi dito: LENDA!!!
A primeira vez que ouvi o seu baixo com distorção comendo solto na introdução de Ace of Spades eu disse: Quero tocar desse jeito! Quando o cara soltou a voz eu falei: Karay!!! O cara é um trovão? É assim que entendo a personalidade do cara mais porreta do metal. Meu mestre! Respeito pelo legado! Stone Dead Forever.

Slayer

Paulada nova! Repentless é o novo trabalho do Big Slayer. Pra mim uma das melhores bandas do planeta. Influência obrigatória para qualquer pessoa que pegue uma guitarra e queira realmente tocar com raiva, fúria, velocidade e coerência. E após a morte de Jeff Hanneman, guitarra e um dos fundadores, ficamos na expectativa por este novo álbum. Gary Holt (Exodus) que assumiu o posto de Jeff já na turnê anterior, se mostrou um verdadeiro brother dos caras. Então vamos lá: É o bom e velho Slayer. Paulada do começo ao fim. A volta de Paul Bostafh na direção das baquetas é mais do que bem vinda. Todos elementos marcantes do som deles esta lá. Kerry King continua um demônio com seus solos matadores e sua alavanca frenética. Prestem atenção no vocal matador de Tom Arraya. O cara esta cantando como nunca. Ótimo álbum, além de uma arte gráfica maligna de primeira. Salve a nova fase do Slayer. Long live to Slayer!

sábado, 12 de dezembro de 2015

The Book of Souls

Tenho que de novo afirmar o que David Bowie disse:  "Rock é coisa de gente velha!". Venho aqui relatar a minha impressão de The Book of Souls do gigante Iron Maiden. Confesso que não esperava muita coisa deste novo disco. Na verdade esperava mais do mesmo, embora a recuperação do Bruce após o câncer me deixava apreensivo. Mas cai do cavalo. O sexteto me grava um álbum duplo com bases marcantes (até ai nenhuma novidade), mas com uma garra dos anos 80. Tive a sensação parecida quando ouvi pela primeira ver o Powerslave. O disco é o melhor em anos do grupo. Pra mim já é Clássico! Faixas longas, teatrais contando histórias fantásticas. Seria uma injustiça em citar elas aqui por que o álbum completo é bom. Poderia ter momentos massantes mas vai por mim, não tem. A arte do álbum é de primeira também com as incríveis ilustrações do Mark Wilkinson. E afinal como esta a voz do Bruce? A mesma. Impecável, sentimental, destruidora, teatral... resumindo: Tem certeza de que ele teve algum problema ? O cara continua com a voz de uma sirene como sempre, não percebi nenhuma defasagem. Então se você sente saudades de metal feito com personalidade e que todo mundo gostaria de ter (mas não tem), compre The Book of Souls de olhos fechados e se pergunte: por que ninguém se toca de que é assim que se faz Heavy Metal de verdade?
Em tempo: só pra te deixar uma pulga atrás da orelha e fazer você ouvir o CD: Tem uma faixa com PIANO. KKKKKK.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Random Access Memories

É com atraso que venho colocar este post. O disco saiu em 2013 e embora tenha tocado muito a canção "Get Lucky" com o Pharrell Williams só agora consegui tê-lo em mãos e me maravilhar com a inteligencia e as sacadas dos andróides do Daft Punk. Entre os grupos que fazem musica eletrônica eles são os que gosto mais. Desde "Around the World", "One more Time" e "Robot Rock" já saquei que não era só uma dupla de DJ`s botando gente pra dançar. Existe um conceito em tudo que eles fazem, pelo visual já mostram que não vieram para um só verão. Mas foi depois da trilha sonora de TRON Legacy da Disney que eu entendi qual é dos caras. Em Random Access Memories os andróides arrumaram um time de colaboradores que me emocionaram. As musicas remetem a Disco dos anos 70. Mas não aquela disco sonsa e cafona e sim a boa DISCO MUSIC. Giorgio Moroder, Nile Rogers (Chic), Paul Williams (do filme: O Fantasma do Paraíso) entre outros músicos fantásticos transformaram este disco na obra prima futurista do passado. Sei que é dificil de entender este conceito, mas os caras aliaram o melhor das ideias musicais futuristas com o desempenho musical dos anos 70. Não consigo parar de ouvir o cd e que hora descubro timbres novos e geniais sacadas sejam melódicas ou nas letras. Fantástico e altamente recomendado. Os samples não são de musicas conhecidas ou obscuras. Na verdade tudo aqui foi feito do zero. Tudo composto para as musicas mesmo e não colagens que as vezes parecem sem nexo. Comprem, baixem, ousam e vejam os videos que estão no link ai embaixo. Ps. Prestem atenção nas faixas: "Giogio By Moroder" e "Contact". O batera é o Panda Bear (Animal Collective) o muleque arrebenta.

 Link: http://www.randomaccessmemories.com/



segunda-feira, 7 de setembro de 2015

HUMANS A SÉRIE

"A última invenção que toda família precisa ter é o "Synth" - um robô de alta tecnologia que trabalha como serviçal e se parece com um ser humano. Com a esperança de transformar a forma como vivem, uma família do subúrbio adquire um sintético para a casa, mas acabam descobrindo que compartilhar a rotina com uma máquina pode trazer sérias consequências." 
Mas a série é mais do que isso. O Synth protagonizado por Gemma Chang tem uma inteligência artificial acima dos outros robôs. Com isso os conflitos de identidade entre humanos e robôs se tornam ao decorrer da série o tema principal. Lembra muito a situação já apresentada em filmes como AI, Chapie, Eu Robô, O Homem Bicentenário, Blade Runner e Automata. A produção é primorosa e  desde o primeiro episódio fica clara que o tratamento estético é uma das prioridades. Mas um Show a parte é a interpretação dos atores "Synth". Em certos momentos a gente fica na duvida se a pessoa esta falando com outra ou com um androide de plástico e metal pois os trejeitos mecanizados deles é quase sobrenatural. Os olhos com suas lentes coloridas nos hipnotizam. Como é claro existe uma conspiração por trás de tudo aqui não é diferente. Outro destaque também é a trilha sonora muito bem executada. Ela é um remake de Real Human série sueca exibida pela HBO Max. Não perca tempo pois estamos ainda na primeira temporada. Recomendo.